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3rd November 07:08
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Afinal_quando_vão_prender_capacho_FHC?!
As bolsinhas de FHC
Sebastião Nery, Jornal Tribuna da Imprensa 24/05/2004
É uma história de 35 anos, que de repente ficou muito atual
neste fim de semana. Está detalhadamente contada por Brigitte Hersant
Leoni, no livro "Fernando Henrique Cardoso, o Brasil do Possível"
(pgs. 153 a 180).
Em pleno 1969 do AI-5, com a maioria dos amigos e companheiros da
Universidade de São Paulo exilados, presos, torturados, Fernando
Henrique, de volta ao Brasil depois de fingir um rico exílio de quatro
anos no Chile, financiado pela ONU, veio à Fundação Ford, dos Estados
Unidos, no Rio.
E não veio visitar. Veio pedir dinheiro. E ganhou logo a primeira
parcela de US$ 145 mil (de um total projetado de US$ 800 mil) para
fundar o seu Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento).
Fundação Ford
Na biografia autorizada, a jornalista franco-italiana conta em
detalhes:
1 - "O Cebrap nasce numa noite de inverno do ano de 1969, nos
escritórios da Fundação Ford, no Rio. Naquela noite, Fernando Henrique
tem uma conversa com Peter Bell, o representante da Fundação Ford no
Brasil. Peter Bell se entuasma e oferece uma ajuda financeira de R$
145 mil.
2 - "O financiamento levará várias semanas para ser liberado. A
embaixada americana fará todo o possível para atrasar e, mais que
isso, para impedir sua liberação. Os americanos consideram Fernando
Henrique um subversivo. Peter Bell decide manter a ajuda e, por seu
lado, a embaixada americana não tomará nenhuma medida de represália".
Teoria da dependência
Era o final da crônica de uma alma vendida. No ano anterior, em 68,
no Chile, Fernando Henrique, como Jarbas Passarinho, tinha mandado às
favas os últimos escrúpulos ideológicos e os livros de marxismo e, com
o chileno Enzo Faletto, feito o livro "Dependência e Desenvolvimento
na América Latina".
Eles defendiam a tese de que "pode existir um desenvolvimento
dependente (sic)... a internacionalização dos mercados pode oferecer
uma saída para o desenvolvimento de um país como o Brasil... as
multinacionais também contribuem para o desenvolvimento... uma posição
intermediária entre o marxismo e o liberalismo" (pág. 126 de Hersant
Brigitte Leoni).
Era tudo que os Estados Unidos e seu sistema financeiro e
globalizante queriam ler e ouvir. Daí a passarem a financiar a vida
dele foi um ano só.
Fernando Henrique
O amigos de Fernando Henrique consideraram inexplicável e
inaceitável que, em plena ditadura, nos anos mais cruéis do horror,
quando eles e o país estavam pagando o preço da tragédia de uma
ditadura sustentada pelo governo norte-americano, ele tenha criado um
instituto de pesquisas com dinheiro pedido e doado pelos Estados
Unidos.
Alguns tentaram defendê-lo dizendo que fez isso por extremo estado
de necessidade, o que não é verdade, até porque tinha emprego da ONU,
passaporte brasileiro e vivia girando entre Chile, Estados Unidos e
França.
De qualquer forma, pode ter representado para ele um
constrangimento.
O instituto
Talvez venha daí a visível e incontida euforia de Fernando Henrique
ao inaugurar sábado, em São Paulo, o "Instituto Fernando Henrique
Cardoso", com a presença do charutoso ex-presidente Bill Clinton e
vários professores americanos, sem sofrer outra vez a humilhação de
rodar a bolsinha numa agência política de governo estrangeiro, como a
Fundação Ford.
Toda araruta tem seu dia de mingau. Fernando Henrique já gastou R$ 5
milhões com a compra do prédio e as instalações e tem mais R$ 10
milhões em um fundo, tudo arrecadado entre os agradecidos empresários
e banqueiros brasileiros e estrangeiros, que ele tanto beneficiou,
inclusive doando bancos.
São quase todos bancos internacionais, certo. Mas, agora, ele rodou
a bolsinha cheio de moral, depois de oito anos de serviço feito e
entregue.
Teoria da traição
Eles não poderão acusar Fernando Henrique de ingratidão. Na "Teoria
de Dependência", em 68, ele ainda fingia buscar uma vaselina entre a
brutalidade da dominação norteamericana e os sonhos abandonados de
independência. Agora, não. Agora ele deu tudo. É a teoria da traição.
No "Globo", o Merval Pereira, seu mais graduado porta-voz, contou:
- "O seminário inaugural do Instituto Fernando Henrique terá como
tema "Por uma governança global democrática". (É exatamente o discurso
e o pretexto canalha de Bush para invadir o Iraque e ameaçar o mundo.
"Governança Global" é sinônimo do poder hegemônico dos Estados
Unidos).
Já no primeiro dia Fernando Henrique abriu o jogo. O Instituto é uma
indisfarçada agência política para defender e vender as posições dos
Estados Unidos e do sistema financeiro internacional. Ele sequer tenta
esconder.
- "Vamos discutir os grandes temas mundiais (sic), ficar longe (sic)
dos temas como câmbio, juros" (dívida interna e externa, a economia
nacional, etc). O que interessa ao Brasil não lhe interessa. A pauta é
a de Washington.
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