Brasil oficialmente em recessão
PIB cai 1,6% no segundo trimestre e confirma recessão
LUIZ ANDRÉ FERREIRA
da Folha Online, no Rio
A economia brasileira entrou tecnicamente em recessão no primeiro semestre
de 2003. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística), o PIB (Produto Interno Bruto, soma de todas as riquezas do
país) teve uma queda de 1,6% no segundo trimestre em relação ao primeiro
trimestre deste ano. Em relação ao mesmo período do ano passado, o PIB
apresentou queda de 1,4%.
Ambos os resultados são piores do que o esperado. No mercado financeiro, a
expectativa era de queda de 0,5% no segundo trimestre.
Para a maioria dos economistas brasileiros e estrangeiros, dois trimestres
seguidos de retração no total de riquezas produzidas por um país configura
um cenário de recessão. Na comparação entre o primeiro trimestre deste ano e
o último trimestre de 2002, o PIB havia tido queda de 0,6%.
Juros
A economia brasileira encolheu nos dois primeiros trimestres do governo Luiz
Inácio Lula da Silva devido principalmente ao forte aperto monetário imposto
pelo Banco Central para conter a inflação.
No período, a taxa básica de juros da economia brasileira --a Selic-- chegou
a atingir 26,5% ao ano, o maior patamar desde 1999.
Essa política de juros altos, apesar de ter se mostrado eficiente para
baixar a inflação, teve como efeitos colaterais a drástica redução dos
investimentos no setor produtivo e o forte desaquecimento do consumo. Com
isso, o país entrou em recessão.
Semestre
No primeiro semestre do ano ficou praticamente estável, com uma pequena
variação positiva de 0,3%, na comparação com o primeiro semestre de 2002.
Contribuíram para esse resultado positivo o crescimento de 5,7% no PIB da
agropecuária e 0,4% no setor de serviços.
A indústria brasileira, no entanto, registrou uma queda de 0,5% no período.
Dentro dos subsetores da indústria, a construção civil foi a única que teve
queda, de 6,5%.
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